Não sei o que sinto e o que faço. De um lado uma coisa,
do outro, outra. Fico dividido ao meio e depois em quatro pedaços e depois em
seis. Um deles vos fala, ou todos juntos, ao mesmo tempo coordenadamente. Sinto
falta de tempo. De tempo de não fazer nada. Já que desde então tudo é um ciclo,
semanas e alguns meses se passaram e me encontro sobre a ponte. Não sei se vou
ou se fico. Queria ir e ficar ao mesmo tempo, do meu jeito. Só não sei se será
aprovado. Mas me sinto bem diante de total indecisão. Aguardo o resultado de um
edital para total mudança. Ganhar menos e respirar ar livre. Ficar mais sem
dinheiro do que consigo atualmente. Existe uma chance de ascensão, mas
sinceramente, não sei se vale a pena o sacrifício de ideias e tempo que nem
tenho. Mas preciso ir ao dentista e fazer línguas, varias delas. É um
investimento em carreira. E não um investimento particular. Está decido. Nós
noventa e seis partículas, decidimos por hora, a aprovação do edital. Mas nada
impede de um bom trabalho em exercício. Ainda continuo com minhas dúvidas,
minhas predileções e alguns medos. Já não possuo a mesma coragem, nem os fios
de cabelo que possuía anteontem. A puberdade me incomoda de certa forma, falta
ou excesso hormonal. Falta de amor e dinheiro em conta corrente. Ainda não encontrei
o equilíbrio, puta sacanagem. Se o virem por aí diga que estou a sua procura. Devo
estar indo a léguas sentido contrário. À esquerda ou à direita. E nesse caminho
vou, e nesse embalo vou, cantando e dançando a musica que eu quero ouvir. Quanto a decisões existem um monte delas, toda
ação é resultado de uma decisão. Pronto! Vou fechar a mala e partir noite
adentro para minhas lembranças e a prática de decisões arbitrárias.
Me encontro quando criança andando de bicicleta, sinto o ralado no joelho esquerdo, o frio na barriga e vejo fim do túnel, glorioso túnel verde. Assim até quando? Até quando meus olhos aguentarem e perceberem e a mão sinistra escreve, digita e escreve. Nada além do nada. Nada além de palavras. Nada de palavras.
sexta-feira, 16 de março de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
Despertar
Posso afirmar que já vivi oito estações nesses últimos
vinte dias. De encontros e muitas pessoas reunidas. De conversas, contestações,
vivência. De aprendizado constante e um
coletor de informações ágil a qualquer palavra lançada ao vento. Aprendi a não
aprender, trouxe uma mala que me serviu de uma estada sólida e altruísta. De agrados
e maus agrados. De felicidade contínua inerente ao frio que faz lá fora. Mas se
for preciso enfrenta-lo, trago minha blusa azul. Sinto-me aquecido por hora. Incentivado e com
uma certeza. A de que daqui não saio. Daqui ninguém me tira. Nunca tive a
certeza em formar, sempre buscava e agora?
Encontrei um
monte de palavras e sopinha de letrinhas. Tanta coisa pra aprender, que ás
vezes a noite reviro a geladeira em busca de conhecimento. Mas nada encontro, a
não serem rótulos e suas cores. Nuca mais pegarei um jornal sem analisá-lo de
forma empírica. E sim, vou comprar mais de um jornal no dia. Sinto assim meio sem forma, mas envolto de um
bolo. Delimita, mas não possui forma. Somente pertenço. A forma, se dará no
amanhecer do dia.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
No espelho
Sinto o cheiro de massala abafando o cheiro do tabaco forte. È abril e as crianças brincam na madrugada de pique esconde. Pique esconde dentro de casa , nas suas camas. Madrugada que nem é madrugada ainda. Todos se recolheram, menos eu. Recolhi algumas ideias.
Já não vejo o amanhã azul. O amanha é azul e pintado de verde chiclete, nas abas, arrematado com uma demão de guache cor de anil. È amarelo de sem vergonha, vermelho de intenso e púrpura de bobagem. Mas é um amanhã invejável. Imagino o que acontecerá, porém o resultado só saberei no fim do dia. Tudo e nada podem acontecer. No mesmo instante ou em sintonias diferentes. E quando o dia acaba, aquele dia vai para o ficheiro datado e organizado por flahs importantes e noticias curiosas.
E não adianta negar. É mais um dia vivido. Está claro no seu tom de pele tudo que fizera. Leva no sorriso o amarelo do desgaste. Nasceu , pronto ! O relógio começa a cantar. Tic – tac. Você cresce e amadurece, o relógio tic – tac. Até um certo ponto o tic – tac é mudo é desprezado. Com o passar do cantarolar, seu tom grave pesa sobre essas pobres vidas. Até que um dia o tic – tac se cala de vez. Mas até ele se calar, já ouviu muita coisa.
Ouviu que alguém, viveu e nunca se olhou no espelho. Não no espelho de vidro, que se quebra com tamanha descompostura. E sim no espelho da alma. Quem não guarda dragões e feridas dentro de si, que se cutucadas, jorram sangue pelas veias, dilatam as mais cruas sensações. De nojo, injúria e renegação.
É o medo de não ser aceito. E quando não se tem massa e moldes, se moldam em historias bem sorrateiras. Criam pessoas que não existem, lugares e acontecimentos. Isso vira caso de doença. E onde fica a busca pela aprimoração? Enjaulada dentro de um corpo nú no sereno frio, em uma cela de um forte antigo beira mar. È mais fácil trancar toda e qualquer vontade de mudar. E ali dentro , no mundo imaginário se muda. De roupa, vestido e poesia. Se olha no espelho e se vê bonito. Penteia os cabelos e sai rua afora. Vestindo a máscara que só ele vê. Refletindo pureza, harmonia e arrogância.
Está desconte com o tempo de hoje. Com a impossibilidade de transgressão. Acorda, se olha no espelho e vai trabalhar. Leva duas horas entre bicicleta, paciência, tempo, ônibus, paciência e caminhada. Chega exaustivo no emprego dos sonhos e propriamente ao tempo e quesitos. Sempre reclama que quer promoção. Não promoção de valores e sim de importância, já que ele faz teu salario com negócios para a empresa.
Tem um dia de expectativas e... Nada acontece. Normal isso acontecer. Será só mais um dia no ficheiro. Pode ser um dia qualquer , mas é um dia vivido. E mais duas horas entre caminhada, paciência, ônibus, paciência e bicicleta, chega em casa. Segue correndo pelos cômodos até o quarto. Ao chegar, abre uma caixa entalhada em madeira. No interior da caixa há tabaco e massala. No lado interno da tampa, um espelho. De reflexão invejável e angulação minimalista. Olhando de canto vê o homem na cela. Virando o espelho de cabeça pra baixo, o homem alcança quem ele quiser.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Entre vidas
Do que são feitas as pessoas?
De materiais, materialização ou prospectivas?
Embolam-se em novelos criados por eles mesmos.
Julga, recrimina, julga, avalia.
Ao se deparar com um individuo da mesma espécie passando, é capaz de analisar em décimos de segundos, todos os aspectos e condições que lhe permeiam. E ali ocorre o julgamento. No elevador do prédio, na rua, no ponto de ônibus.
Do que são feitas as pessoas?
De uma maneira cruel e de natureza própria, o Homem deixou de predar para prestigiar teus feitos. Domina e alcança aquilo que lhe é favorável. E defende á unhas e dentes. Dentes e unhas. Como és capaz de arquitetar situações e colocá-las em prática. Finge, mente e cospe na rua. O benefício próprio se torna a lei maior na selva de Homens.
Do que são feitas as pessoas?
O Homem acolhe outro homem. Dá-lhe de comer, moedas e chances de restabelecer na então convivência humana. Desde que o individuo manifeste interesse, claro. Chora ao ver o sofrimento do próximo, tem sentimentos de compaixão imaginaveis. Nas catástrofes naturais fazem “o bem sem olhar a quem”. Amam e são amados loucamente, alguns passam do ponto e a dor da perda é imensurável, comentem até óbitos. Pobres Homens. Matam a si mesmos. De uma forma viral. Na comida, no anúncio, nas bebidas.
Do que são feitas as pessoas?
De limites impostos na imaginação tangenciando toda e qualquer chance de algo dar certo. Pensa e acredita conseguir, mas quando irá realizar. Não obtém sucesso. Desfruta do êxito com antecedência e se esquece da realização no presente. Confundem-se entre tempo, espaço, órbita e sexualidade. E “ bota “ sexualidade nisso. Amam-se, se enlaçam entre sexos opostos. O sexo homo é praticado por todos de uma certa forma , mas ainda é considerado preconceito. Eles não conseguem se encarar. Preferem fantasiar com uma máscara de paetês dourados do que ser real. Do que olhar pra dentro e pra fora sabendo quem é. Isso trazem da visão altruísta de conceitos imateriais. De que não importa nada para estamparem uma ação.
De que são feitas as pessoas?
De conceitos. De estudo, prática e sabedoria. De muita fé, de bondade, piedade e algodão doce. São feitas da mais variadas cores e destinos. A maior combinação feita desde então. A unicidade na multidão. Cada um é cada um. Uma Mente Humana.
De que são feitas as pessoas?
De algumas coisas que eu sei, outras saberei com o conhecimento adquirido diariamente. Algo que a mente humana tenta, mas não consegue transmitir de forma alguma em qualquer instrumento. Com o passar dos dias, mais informado estarei sobre as pessoas, do que são feitas elas. E novamente obterei uma conclusão que se despedaçará em instantes. Algo variavelmente como a mente humana. Como são feitas as pessoas.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
E se chama amor
Pensamento , pensamento onde estás?
Ronda –te no pureza da alma das flores e nos ninhos.
Guarda – te solenemente na calmaria das coisas.
Zomba – lhe da vida, dos encontros e desencontros.
E se chama amor.
A figura cobre o pensamento por mais de oito vezes ao dia.
O encontro é marcado e subestimado em aparições. Sejam aqui, ali ou virtual.
Sempre existem encontros.
Por mais que sejam virtuais sinceramente afirmando.
Existem encontros.
E como são gostosos os encontros.
A letra bordada,
O gesto em carinho de palavras.
O silêncio.
A quebra do silêncio.
É muito cedo pra se chamar amor.
Existem atrações.
Espetáculos e promoções.
O encontro nunca acontece.
Seja por horário, dias e falta de semestre letivo.
O desejo é reciproco.
Pronto para o amor. ( Eu )
Pronto pra amar de novo . ( Ele )
E juntos trocam olhares engessados por fotos.
Que imponha o ângulo e a pose perfeita,
E ele, delicie a cada cor a cada gesto.
Eu faça o mesmo.
O desejo da carne se torna maior.
Carne nervosa que se chama amor.
Carne de coração .
Carne de carneiro.
Tanta coisa acontece e entre pensamentos.
Sua figura surge.
Isso se tornará amor.
Se muita coisa acontecer.
Ou nada.
Se o encontro acontecer.
Se os preparativos acontecerem.
E quantos são os preparativos.
O corpo promove a busca pela condição de apresentação.
O perfume, a pele e o desejo tem de conquistarem
O local, a hora e o desfecho que ficam por conta
Do destino.
O corpo tem de atrair.
Mudanças deverão de serem feitas.
Manutenções, propriamente dizendo.
Pele , nuca e cabelo prontos para o encontro.
E quando será o encontro?
Isso se chama amor, porque é o que sinto em palavras inteiras.
É quem escolhi pra viver minha próxima e futura história.
E quanto não quero chamar de amor essa história.
O encontro ainda não sei..
Assim que arrumar minhas malas e carregar meus livros.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Prece da criança
Sinto falta da bolinha de gude entre os dedos
Da boca toda lambuzada de chocolate,
De pirulito,
De picolé.
Não deixo de lado o vento
Que corre pela janela adentro do carro
Ou ônibus
Faça sol, faça chuva
Sempre venta com o veiculo em movimento.
Ainda não deixo de dar atenção as brincadeiras de criança.
Ao diálogo entre um adulto e um mini adulto.
Aos jeitos.
Aquele sorriso mais doce e sincero do mundo.
Sorri com o imaginável de engraçado.
Vê graça onde vemos nada.
Tem pique e energia pra mais de horas.
É doce, pura e ingênua.
É doce criança.
O espirito permanece a quem nunca deixou de ser criança.
À aquele que pede e mede sem esforços.
À aquele que sorri e transmite a pureza, rara na fase adulta.
À aquele que pede em prece, e em prece é atendido.
E espirituosamente criança,
Entende outra criança
Brincam de carrinho
E jogam vídeo game
Uma criança e uma criança grande.
Á aquele que nunca deixou de ser uma criança.
Tempo
Tempo passa
Tempo urge.
Tempo volta somente em lembranças.
Tempo acorda
Tempo corre.
Tempo muda
E desnuda a vida.
Tempo traz
Tempo some
Tempo cura
E corrompe.
Cria, muda e descontrói.
Quem mais tempo tem
Mais tempo sempre terá.
Ate que a vida se vá.
E o tempo continua.
Seja aqui ou ali.
O tempo nasce, cresce e floresce.
O tempo passa rápido numa tarde gostosa.
O tempo para em dias frios.
Enlaça tempos com linhas duras e agulhas metálicas.
Trança nó, discórdia e cabelo.
Alfaiata tapetes, veludos e maçãs.
O tempo condiz com o nada.
Nada se sabe sobre o tempo.
Só se sabe que ele existe desde....
Desde que o tempo é tempo.
Desde que o tempo foge da compreensão humana.
Desde o tempo da minha vó.
O tempo é onipresente.
E sustenta famílias, gados e engordas.
Sem o tempo, o tempo mesmo não existia.
Sem o tempo eu não conseguiria colocar as minhas meias.
Sem o tempo eu não leria o Tempo.
Nem se quer a temperatura.
E não obteria o conhecimento.
O tempo, o maior criador de peças.
De conchavos, encontros e desencontros.
Oh tempo! Tende piedade de nós!
Não traga chuva e faça sol sempre.
Leve junto ao seu tempo as minhas mágoas e lembranças.
Traga contigo tempo de bonanças.
E quando cessar a minha escrita.
Que eu não tenha tempo pra prosa.
Que somente tenha tempo para o próximo tempo.
E que o próximo seja menos” temporoso que esse tempinho ruim aqui sô”.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Antopéia
Gosto de curvas, músculos e dedos.
Braços fortes,mão gelada, dentes fortes.
Saboreio a carne, a lã e o cordeiro.
A vida, a fome e a indignidade também.
Num só gole
Ou num pedaço mordido de lamber os beiços.
Arroto injúria, acomodação e insatisfação.
Brinquedos, volumes e teses.
Acredito em estrelas, luas, órbitas e ventos.
Em magos, fadas e duendes duvido,
Mas acabo acreditando.
O cerne da carne está vermelho.
A lua tinge o céu de azul.
A antopéia fica roxa de vergonha.
A sereia fica moribunda.
As ondas não ondulam mais.
O mar fica sereno
E o vento cessa.
O tilintar do vácuo se pronuncia.
No mais brilhante som.
A música emudece
O sonar emudece
A luz emudece.
Não obstante, logo a luz pisca.
O morcego voa e emite seu radar
E a música toma conta.
Carros, motores e acelerações marcam a madrugada.
Entrelaçadas com latidos vindos do nordeste.
O vácuo agora é só vácuo
solitário e asfixiado,
sem oxgênio para respirar.
A antopéia não sei.
Você a viu por ai?
Correu de tanta vergonha em ouvir o vácuo se pronunciar.
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