Gosto de curvas, músculos e dedos.
Braços fortes,mão gelada, dentes fortes.
Saboreio a carne, a lã e o cordeiro.
A vida, a fome e a indignidade também.
Num só gole
Ou num pedaço mordido de lamber os beiços.
Arroto injúria, acomodação e insatisfação.
Brinquedos, volumes e teses.
Acredito em estrelas, luas, órbitas e ventos.
Em magos, fadas e duendes duvido,
Mas acabo acreditando.
O cerne da carne está vermelho.
A lua tinge o céu de azul.
A antopéia fica roxa de vergonha.
A sereia fica moribunda.
As ondas não ondulam mais.
O mar fica sereno
E o vento cessa.
O tilintar do vácuo se pronuncia.
No mais brilhante som.
A música emudece
O sonar emudece
A luz emudece.
Não obstante, logo a luz pisca.
O morcego voa e emite seu radar
E a música toma conta.
Carros, motores e acelerações marcam a madrugada.
Entrelaçadas com latidos vindos do nordeste.
O vácuo agora é só vácuo
solitário e asfixiado,
sem oxgênio para respirar.
A antopéia não sei.
Você a viu por ai?
Correu de tanta vergonha em ouvir o vácuo se pronunciar.

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