Eu estou crescendo, involuntariamente, mas estou. Sonhava o dia em que seria um adulto, mas me esquecera que não é tão simples assim.
Tenho medo desse mundo medonho. É isso. Onde a cada dia que passa um está se apoderando do outro. Tudo se resume a numero, mortes e inflação. Enquanto todos se voltam pra crise econômica mundial, eu me preocupo com a minha crise interiorana. Essas mutações fazem com que eu esqueça o que um dia vivi. Tento insistentemente voltar a ter o pensamento que eu obtinha antes, mas não se há registros dele em minha memória. A forma que eu via as coisas mudou bruscamente, e hoje, nem sei dizer quem sou. Para muitos me resumo a números identificáveis relativos á nome e sobrenome matricula e tal, há uma pequena parcela destes sou considerado um intelectual, e há uma minoria que se dizem meus amigos. Mas nenhum deles são capazes de me compreender, sinto que estou a beira da insanidade, pois não consigo administrar todas essas mudanças. Tenho medo do futuro, talvez eu saia desse casulo imposto e me torne uma borboleta, mas tenho medo de viver somente vinte e quatro horas.
Não sei explicar o que acontece comigo, procuro ajuda insistentemente, mas sinto que tenho que passar por isso sozinho, e eu que achava que era um cisne, hoje sinto-me um patinho feio em fase de transição.
O que antes era uma fuga da realidade, hoje se tornou um tormento, estou prestes a cometer uma decisão importante na vida, tenho medo de errar, mas vou mudar. É completamente necessária essa mudança, mais uma vez imposta, para que o casulo amadureça e se rompa de vez.
E sinto que um dia desfilarei pela praça sete com minhas asas ao léu, caminhando sob uma calmaria que já não sinto a tempos. E ai talvez voltarei o que julgava ser normal, e que essa seja minha ultima metamorfose, pois sinto minha mente velha e imprópria a novas mudanças.
E esse hoje e meu único conforto, de que um dia tudo isso vai passar. Será?
