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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Poeta


  O poeta nada mais é do que um sonhador. Que sonha, molda e brinca com as palavras. Narra um acontecimento ou sua própria vida e não obstante a vida dos outros. A vida alheia.
  É um caçador de historias e livros. Sente-se entusiasmado quando encontra uma porção destes que valha a pena.
  Os poetas não são solitários. Eles compartilham e quando chegam numa idade onde todo o conhecimento buscado foi adquirido, se enclausuram.
  E produzem. Tal como abelha, colhe a idéia e produz o mel. Só que num momento a quantidade de pólen é tão satisfatória que deixam de frequentar bares e esquinas à procura de inspiração.
  Suas obras já estão amadurecidas e suas discussões são mais profundas.
  Nessa fase o poeta inventa historias minuciosamente inventadas. E tem total habilidade para isso.
  Eu ainda um menino paro e me pergunto:
  - O que será de mim sem o convívio e a inspiração social? Sem o aprendizado diário?
  Não obtenho respostas. Estas estão no silencio da linha quebrada pela grafite que percorre a folha em gestos curvilíneos formando letras e palavras. Este é o único som que escuto. Mais adiante, de um cachorro a latir cerca de vinte metros ao sul de onde me encontro. E no atrito causado pela grafite sobre o papel, descrevo as dúvidas. Sejam quais forem. Não pedindo respostas. Mas evidenciando as dúvidas.
  Sua resposta virá do modificador de qualquer coisa que aconteça. O Tempo. E só ele trará respostas para essas duvidas que tanto quero saborear suas respostas.
  Mas a única coisa que possuo no momento são bens. Tenho um pudim, um caderno novo de capa dura azul celeste onde pinto a minha arte, uma inabalável amizade que vira historia, oito cigarros no bolso esquerdo da blusa, e claro, milhões de dúvidas. E isso é o que me move. E faz acontecer. Tenho um dom e uma arte. Sou um guri. Mas sou poeta.
 
 
  

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