Poderia ficar horas tentando exprimir entre fonética e escrita, os vários gemidos da dor.
Mas esqueceria da dor silenciosa, talvez mais dolorosa que a anterior.
Ou aquela que causa arrepios e pode ate levar á náuseas, vômitos.
Aquela que te faça chorar demasiadamente a ponto de já não mais obter lagrimas para correrem em seus olhos.
Existem dor precisas e até alegres. Muitos dizem que doer não faz mal, alia-se ao esquecimento.
A outros porem que se vangloriam da dor sentida.
Mas eis que não julgo a dor física e sim aquela que lateja, arde, e muitas vezes não se tem explicação.
Pode se reunir numa efusão sentimental ou apenas uma pontinha no peito.
Muitos desabam em choro outros choram em casa.
Podem até falar a inúmeros amigos, deixar que todo mundo saiba de sua dor, mas é em vão. Talvez possam até ter tido algo similar, mas pra quem dói, só dói em seu peito e de mais ninguém.
Há também aquela dor gostosa, de chegada, de carinho,de duvidas, até de alegria, da surpresa, do amor , do sexo, da entrega, e logo não muito depois vem a dor da perda, como um ciclo vicioso.
O mais gostoso da dor e sua gratificação posterior que em muitas vezes vem como honra ao mérito,uma medalha dependurada no peito assimilando-se a um curativo, timbrada com letras médias, alternadas,sozinhas dizendo: -Calma que vai passar. ou então, -Você merece.
Difícil e reconhecer quando essa medalha não chega, não por atraso mas sim porque não há ninguém para colocá-la em seu peito.
Eis que ai surge a dor não correspondida, “eita” dor ardida. Costuma causar loucuras e até óbitos. Por não conseguirem segurá-la, chega a ter vontade própria, é um hospedeiro.
O gostoso e que sempre um dia tudo acaba. Aquela dor já não é tão doída como antes e com o decorrer do tempo, que jamais ousaria determinar tempo para isso, talvez leve vidas ou apenas alguns poucos minutos reunidos, duas esquinas dobradas e um leve esbarrão, não sei.
Porque a dor só acaba quando não há mais lugar para se doer, já percorrera todo o corpo e não encontra sinais de vitalidade afetiva remota. Aí recomeça a dor gostosa, de chegada, de carinho, de duvidas, até de alegria, da surpresa, do amor, do sexo, da entrega, e logo não muito depois vem a dor da perda, como um ciclo vicioso.

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