Eu confesso, eu matei o meu marido!
Podem me prender.
Eu dei doses extremas de carinho, amor, atenção.
Fui leal, companheiro, abracei suas causas.
E isso fez com que ele fosse morrendo aos pouquinhos.
E como eu sofri em vê-lo morrendo assim.
Tentava reanimá-lo, mas era em vão.
Já estava doente.
E como ainda sofro com sua falta, mas não tenho vontade de tê-lo novamente, na verdade, não sei.
Nunca mais o vi desde que ele se foi.
O que mais sinto falta é o seu cheiro, e o pior, ele sabe disso.
Não queria me casar com a pessoa errada, mas casei.
Não houve véu, nem festa, somente alianças atiradas no telhado.
E dúvidas pela janela.
Insegurança era o nosso lema.
E ainda acha que é Jesus cristo, só que quer ressuscitar depois do carnaval, na quaresma.
Já não sofro tanta com sua falta matrimonial e sim com nossa remota convivência.
Existia um mundo entre nós, humildade só se sabia o significado no glossário.
Por isso o matei.
Mas creio que não vou ser preso, pois onde eu o matei ninguém saberá encontrar seu corpo.
Afoguei-o dentro do meu coração num vale de lágrimas.
Onde se existia um cantinho com o seu nome, hoje existe um museu abandonado com algumas recordações e poucas fotos dependuradas na parede, desalinhadas, em molduras antigas, apenas para demonstrar que isso já foi passado e não faz mais presente em minha vida.

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